Parkour

Vai alem de uma parte da minha vida... não é um mero esporte praticado aos fins de semana! Parkour é uma filosofia, a minha filosofia! É o constante desenvolvimento físico e mental, a arte do movimento, graciosa em toda sua praticidade, é tornar o corpo tão livre quanto a mente, visualizar, desenvolver, transpor; percorrer caminhos de forma individual em meio a uma multidão... sentir em cada salto, a emoção do “primeiro amor”, é inspirar emoção, transpirar o medo, “desconectar-se do sistema” que faz de tudo uma rotina, é ver a gravidade como uma simples folha de papel, mutável perante a sua criatividade, e ter a certeza de que é preciso ser forte para ser útil!

ser e durar!

Carta ao Anjo Rafael

Faz um certo tempo, desde a ultima carta. Mas você sabe como vai ser. Com o tempo sentiremos menos vontade de nos corresponder, e a freqüência de nossas cartas irá diminuir. Nossas cartas vão se resumir a: “oi... tudo bem? Como tem passado? E como vai a vida?” por uns instantes alguns pensamentos antes de escrever a próxima frase, que será mais ou menos assim: “Bem agora eu tenho que ir, aguardo sua carta!”... se eu vou parar de te escrever? Infelizmente é o mais provável. Com o tempo as pessoas se vêem cada vez mais ocupadas com coisas menos importantes, então é provável que isso ocorra em algum ponto no futuro.... eu vou parar de escrever, e você, vai parar de esperar pelas minhas cartas É o ciclo da vida, o movimento entre dois pontos inertes, existentes independentes da sua tridimensionalidade... mas, voltando ao motivo pelo qual lhe escrevo essa carta....
Eu queria saber se esta tudo bem! Como tem passado? E como anda a vida...?
Bem. Eu tenho que ir agora! Aguardo a sua próxima Carta

Uma Criatura

Sei de uma criatura antiga e formidável,
Que a si mesma devora os membros e as entranhas,
Com a sofreguidão da fome insaciável.
Habita juntamente os vales e as montanhas;
E no mar, que se rasga, à maneira do abismo,
Espreguiça-se toda em convulsões estranhas.
Traz impresso na fronte o obscuro despotismo;
Cada olhar que despede, acerbo e mavioso,
Parece uma expansão de amor e egoísmo.
Friamente contempla o desespero e o gozo,
Gosta do colibri, como gosta do verme,
E cinge ao coração o belo e o monstruoso.
Para ela o chacal é, como a rola, inerme;
E caminha na terra imperturbável, como
Pelo vasto arealum vasto paquiderme.
Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo
Vem a folha, que lento e lento se desdobra,
Depois a flor, depois o suspirado pomo.
Pois essa criatura está em toda a obra:
Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto,
E é nesse destruir que as suas forças dobra.
Ama de igual amor o poluto e o impoluto;
Começa e recomeça uma perpétua lida;
E sorrindo obedece ao divino estatuto.
Tu dirás que é a morte; eu direi que é a vida

Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.